sexta-feira, 14 de abril de 2017

Floripa: gastronomia na ilha



Normalmente, grandes expectativas geram boas decepções, difícil a coisa estar à altura da imaginação da gente. E foi assim, com grande expectativa, que fui passar três curtos dias em Florianópolis. Um compromisso da minha filha, um curso de aquarela com um jovem artista catarinense, nos levou até lá. E não é que Florianópolis é tudo aquilo mesmo que falam a respeito dela. Voltei com gostinho de quero mais, pois é muito mais, é daquelas cidades que a gente vai logo se imaginando morando, vendo preços de apartamentos, imaginando rotinas a beira mar.

Fico encantada com cidades que ainda não se armaram até os dentes com aços farpados. Os muros, quando existem, são baixos, vê-se ainda aqueles portões baixos de ferro que apenas sugerem um domínio territorial. Praças, muitas árvores, uma ponte linda, ainda que inativa, praias isoladas, tem até a Solidão. E pessoas gentilíssimas - eles riem prazerosos quando são de novo elogiados sobre a fina e bem humorada educação.
E tem comida, claro, posso dizer que comemos muito bem no padrão médio de custo. Ficam as dicas: Fomos e voltamos ao Café Cultura, fica na Lagoa da Conceição, que é o local mais agitado da ilha, cheio de gente de todo o tipo, mas principalmente jovens, belos e de pés sujos, leia-se mochileiros, com seu charme e indolência a descontaminar o ar com paciência. Destaco, sem medo de errar, o penne com camarões e o café.

Outro lugar muito legal, descoberto pela juventude de minha filha, é o Bar La Cave. Eles se autodenominam de gastrobar, que quer dizer que são um bar, mas sem descuidar da comida. E eles conseguem. Comemos um espaguete na tinta de lula com um polvo, seguramente o mais macio que já experimentei. O diferencial do bar é oferecer uma boa quantidade de vinhos em taças. Não se engane, não são tantos assim, dos cerca de 30 rótulos, apenas uns 7 podiam ser vendidos em taças, mesmo assim, a proposta é boa. O atendimento é descontraído, sem ser desleixado. Uma boa música, executada por um trio, logo ao lado da gente, não nos impediu de conversar. E o ambiente, muito próximo do refinado.

E para completar, o que não é novidade: O Padeiro de Sevilha. Eles parecem ser os queridinhos do lugar. Com uma proposta rápida e econômica, essa padaria agrada a todo tipo de gente. Os pães, os bolos, as quitandas ficam expostas e a gente se serve, pede a garçonete apenas o que vai beber. Há uma boa oferta de produtos integrais, e a preocupação com o sódio e o açúcar. Dá até para encomendar pães com sódio reduzido.  O local foi nossa pequena rotina de férias, e tudo o que comemos foi barato e estava muito gostoso, sobretudo os cookies.

Florianópolis deve seu nome ao presidente Floriano Peixoto - uma homenagem considerada, por muitos, de extremo mau gosto -, passou a adotar desde há muito o apelido Floripa, que lhe cai muito bem. Mas é também a Ilha da Magia, com bruxas transformadas em pedras que pontuam suas praias.

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