Floripa: gastronomia na ilha
Normalmente, grandes expectativas
geram boas decepções, difícil a coisa estar à altura da imaginação da gente. E
foi assim, com grande expectativa, que fui passar três curtos dias em
Florianópolis. Um compromisso da minha filha, um curso de aquarela com um jovem
artista catarinense, nos levou até lá. E não é que Florianópolis é tudo aquilo mesmo
que falam a respeito dela. Voltei com gostinho de quero mais, pois é muito
mais, é daquelas cidades que a gente vai logo se imaginando morando, vendo
preços de apartamentos, imaginando rotinas a beira mar.
Fico encantada com cidades que ainda
não se armaram até os dentes com aços farpados. Os muros, quando existem, são
baixos, vê-se ainda aqueles portões baixos de ferro que apenas sugerem um
domínio territorial. Praças, muitas árvores, uma ponte linda, ainda que
inativa, praias isoladas, tem até a Solidão. E pessoas gentilíssimas - eles
riem prazerosos quando são de novo elogiados sobre a fina e bem humorada
educação.
E tem comida, claro, posso dizer que
comemos muito bem no padrão médio de custo. Ficam as dicas: Fomos e voltamos ao
Café Cultura, fica na Lagoa da Conceição, que é o local mais agitado da ilha,
cheio de gente de todo o tipo, mas principalmente jovens, belos e de pés sujos,
leia-se mochileiros, com seu charme e indolência a descontaminar o ar com
paciência. Destaco, sem medo de errar, o penne com camarões e o café.
Outro lugar muito legal, descoberto
pela juventude de minha filha, é o Bar La Cave. Eles se autodenominam de
gastrobar, que quer dizer que são um bar, mas sem descuidar da comida. E eles
conseguem. Comemos um espaguete na tinta de lula com um polvo, seguramente o
mais macio que já experimentei. O diferencial do bar é oferecer uma boa
quantidade de vinhos em taças. Não se engane, não são tantos assim, dos cerca
de 30 rótulos, apenas uns 7 podiam ser vendidos em taças, mesmo assim, a
proposta é boa. O atendimento é descontraído, sem ser desleixado. Uma boa
música, executada por um trio, logo ao lado da gente, não nos impediu de
conversar. E o ambiente, muito próximo do refinado.
E para completar, o que não é
novidade: O Padeiro de Sevilha. Eles parecem ser os queridinhos do lugar. Com
uma proposta rápida e econômica, essa padaria agrada a todo tipo de gente. Os
pães, os bolos, as quitandas ficam expostas e a gente se serve, pede a
garçonete apenas o que vai beber. Há uma boa oferta de produtos integrais, e a
preocupação com o sódio e o açúcar. Dá até para encomendar pães com sódio
reduzido. O local foi nossa pequena
rotina de férias, e tudo o que comemos foi barato e estava muito gostoso,
sobretudo os cookies.
Florianópolis deve seu nome ao
presidente Floriano Peixoto - uma homenagem considerada, por muitos, de extremo
mau gosto -, passou a adotar desde há muito o apelido Floripa, que lhe cai
muito bem. Mas é também a Ilha da Magia, com bruxas transformadas em pedras que
pontuam suas praias.

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