Numa semana de
noticia tão ruim, pior não pode haver: desmatamento recorde da floresta
Amazônica. Eu peço licença para falar da minha vidinha porque, de modo
diferente, nós pessoas comuns não sabemos viver.
Um sol grego,
daqueles que esfarelam rochas e faz plantas e gente procurarem sombra, nos
recebeu à entrada da cidade de Agragás. Cidade pequena cujo comprimento pode-se
observar do ponto mais alto, onde o primeiro templo fora construído.
Estrategicamente escolhida, a cidade se instalou em um local absolutamente
protegido pela natureza – rodeada de mar e costões rochosos. Nosso excelente
guia,munido de sua sombrinha, tinha toque para iniciar toda e qualquer explicação,
ele dizia: “da questa parte”.
Ele se posicionou
embaixo de uma oliveira magnífica e, da questa
parte, nos disse que aquela espécie fora plantada sob os auspícios de rei,
por volta do ano 1.000! Achei ter entendido errado, afinal, não se pode confiar
cegamente num ouvido que está a decifrar outro idioma, mas pela expressão geral
da plateia, percebi que era isso mesmo. Quis me abraçar a ela e ouvir o que
essa senhora milenar tem para nos dizer. Saber do vento que sopra da África até
a Itália e, para minha própria segurança, descobrir: quanta vaidade já tombou a
seus pés.
Ela não estava
sozinha em sua imensa sabedoria. A cidade grega, em solo siciliano, tinha um
olival. Mas não só.Quando vertemos vista aos paredões de pedra, despencavam pés
de alcaparras que se sustentavam como podiam – com pouca terra, muita pedra e
sol – mas acho que é assim que elas gostam de viver. Os templos foram
construídos ao longo e ao lado do que foi a avenida principal, calçada e
ralamente murada. E enfileirada, de ambos os lados, por pés de amêndoas, mandorla, para os italianos. A questa parte, o guia se orgulhou de tão
bela árvore, que exibe uma das mais belas floradas da natureza e é abundante
por toda Agrigento. Hoje Agrigento, mas já foi, desde Agragás, tantos nomes
diferentes, que é difícil imaginar uma outra cidade mais invadida que essa.
E em meio a tudo
isso, muitos pés de figos-da-Índia, que não são naturais da Índia, mas do
México.Imagino que, como fomos tomados por indianos no descobrimento, os frutos
também devem ter sido enganadores como nós. Por lá, se exibiam em profusão de
cores: amarelos, vermelhos, roxos, verdes, belíssimos.
O Vale do
Templos em Agrigento era o local de brincadeiras e piqueniques quando nosso
guia era jovem, assim nos disse. Noivas vinham fazer fotos em poses de Atenas e
ninguém se importava com aquilo tudo. Hoje, reconhecido como patrimônio
histórico, está a fazer a fortuna da cidade com o turismo e ninguém pode mais
tocar numa pedrinha, tá certo. Mas nosso guia estava a invejar as beldades de
Dolce&Gabbana que flanaram, quase sem tocar o chão, por semideusas que são,
os templos de suas brincadeiras.
Em tempo: conheçam Sérgio Leitão, do Instituto Escolha, para saber mais
sobre a Amazônia e vejam noYoutube o desfile Dolce&Gabbana 2019 no Vale dos
Templos.

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