Árvores universitárias
A fileira de mesas e cadeiras era
enorme, mesas de madeira, cadeiras, idem, com estofamento vermelho - percebia-se
que alguém cuidadoso fora o autor daquele alinhamento perfeito. Pedi um café,
uma água e, quando fui me sentar, senti-me confusa com tamanha disponibilidade
de assentos, escolhi um canto. Estava fresco ainda, a manhã das 7 horas me
pediu uma blusinha, mas agora perto das 9 horas me sentia confortável sem ela.
Olhei a volta e desejei ardentemente que minha filha pudesse ser parte daquela
beleza.
Para se ter uma ideia, a área da
cidade universitária – da USP - é de 5 vezes o tamanho do parque Ibirapuera,
visto de cima uma bela manche verde, ao modo de uma mata. Para quem imerge nela
percebe-se que são árvores plantadas, elas obedecem a um desenho, mas ainda
assim, são as donas do lugar, os prédios dissimularam a arrogância, deram um
passinho para trás, permitindo que tudo ficasse verde - e a sensação é ótima.
Além das palmeiras ornamentais, além
das tão paulistanas Sibipirunas e Ipês, há uma variedade grande de árvores
frutíferas. A Natália, do restaurante da Politécnica, explicou-me que são mais
de 12 mil, entre acerolas, pitangas, goiabeiras, goiabinhas e dilênias. Dilênias?!
Sim, estavam bem ali na minha frente. É uma árvore de porte baixo com uma fruta
que parece fruta do conde, mas não é. Perguntei se eles haviam experimentado,
Natália me disse que não, o cheiro não lhe parecia convidativo.
Fui pesquisar a tal dilênia,
conhecida como maçã de elefante. Ela tem um sabor de maçã verde, mas ainda
verde. Muito fibrosa, parece que, cozida para a extração do caldo, é seu melhor
viés. Não é originária do nosso continente, é asiática, foi trazida para cá no
Brasil Imperial e plantada inicialmente no Jardim Botânico do Rio de Janeiro,
depois chegou a São Paulo, sem muito sucesso, como podemos ver.
Depois fui ver as tais goiabinhas,
que são na verdade araçás. São naturalmente da mesma família das goiabas, mas
tem sabor diferente e são pequeninas. Os araçás são nativos da região, embora
sejam originários do cerrado brasileiro. Estão por lá muito antes da USP,
cobriam boa parte do território da fazenda Butantan,
mais tarde doada para se transformar na Cidade Universitária.
O araçá, quase maduro no pé, de verde
vai passando ao vermelho vivo. No cerrado brasileiro, indica o início das
chuvas, mas foi, durante muito tempo, a indicação do melhor período de fuga
para os escravos, porque as águas apagariam suas pegadas e a fruta asseguraria
a sobrevivência deles.
Antigo símbolo da esperança de
liberdade, os araçás verdes ou encarnados, indicam hoje, ainda bem, apenas o
passar e o chegar de estações, coisa que minha filha, jovem e sonhadora, poderá
apreciar.

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