Sem se locomoverem, lançando mãos
apenas do essencial no planeta: água, rochas, luz e ar, fizeram a revolução da
qual depende toda a vida animal do planeta. Em cada espécie, as características
que fizeram delas as sobreviventes - essencialmente, as plantas nutrem a si
mesmas – os vegetais são virtuosidades químicas. “O reino vegetal compreende
raízes amargas, folhas picantes, refrescantes (e também amargas), flores
perfumadas, frutas que dão água na boca, sementes oleaginosas, doçura, acidez,
adstringência e dor prazerosa, e aroma aos milhares! ”
Tenho feito uso de algumas plantas
que não são, a princípio, reconhecidas como comestíveis. São as chamadas PANCS
(plantas alimentícias não convencionais). É legal, é útil, outras vezes de alto
teor nutricional, mas nenhuma foi tão boa quanto o peixinho da horta, ou
somente peixinho, seu nome cientifico é stachys
byzantina ou lanata. Ela é idêntica a folha da sálvia, uma gigante folha de
sálvia, só que muito peluda, provocante, o toque é algo como um cobertor de
bebê lavado a Comfort.
Mas o gosto e a textura, na boca, não
é nada bom, também não é ruim, mais ou menos como comer um pedacinho de
flanela. É preciso trabalhar sobre ela e a melhor maneira de fazer isso é
fritando-a depois de empaná-la. Se estamos a tratar de veganos, pode-se fazer
uma cobertura tipo tempurá, sem ovos. Mas se é o caso daqueles que adoram a
Deus, mas amam o capeta tocando viola atrás, então a dica é empanar
classicamente: ovo, farinha e fritar em óleo bem quente. Verdade, é um belo
petisco.
O nome se refere ao formato da
planta, mas o gosto não é de peixe frito - um fala o outro copia. Seu gosto é
suave e combina bem com a empanação e o intrigante é ver uma folha tão carnuda!
Imagina-se uma folha frita e imagina-se o nada, mas não é o caso, o peixinho
resiste e se mantém gostoso e verde mesmo sofrendo queimaduras em alta
temperatura.
Nós e todos os seres vivos heterótrofos
vivemos em fuga, ocupados em nos mantermos vivos, embora o nosso caso peça uma
interpretação absurdamente ampla. Os vegetais não, são estacionários. Por isso,
às vezes são perversos e produzem toxinas como a cebola, a mostarda, pimentas.
Então, quando toquei o peixinho, fiquei a imaginar a vida mansa desse vegetal,
ornamental por excelência, macio, perfeito para um jardim sensorial.
Não há razões de ordem prática para
lavar, secar, empanar e fritar uma linda folha verde prateada. Provavelmente
ela não irá superar as suas expectativas, mas certamente haverá o prazer da
descoberta, do aprendizado, do amor ao presentear e surpreender a família, ou
simplesmente, abstrair-se da rotina.

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